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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Futebol ruim no Primeiro de Maio e Zequinha nas quartas da D

Texto e fotos: Fernando Martinez


Menos de 24 horas depois de sair de São Bernardo do Campo, retornei à cidade do ABC para um duelo decisivo pelo Campeonato Brasileiro da Série D. No belo Estádio Primeiro de Maio, São Bernardo FC e o genial São José de Porto Alegre decidiram qual dos dois iria para as quartas-de-final do certame.

Desde 11 de outubro de 1998 o Zequinha não jogava na Grande São Paulo (vitória de 2x1 do São Caetano no quadrangular final da Série C daquele ano). Tudo bem que já tinha visto a equipe profissional do São José duas vezes na sua cidade de origem - em 2003 contra o Veranópolis e em 2007 contra o Brasil de Pelotas - mas mesmo assim a minha presença era obrigatória.


São Bernardo FCL - São Bernardo do Campo/SP


Esporte Clube São José - Porto Alegre/RS


Capitães dos times e quarteto de arbitragem com o árbitro do Distrito Federal Savio Pereira Sampaio, os assistentes também da capital federal Luciano Benevides de Sousa e Ciro Chaban Junqueira e o quarto árbitro paulista Thiago Luiz Scarascati

O jogo de ida, realizado no Passo D'Areia, terminou sem a abertura do placar e um novo empate sem gols levaria a decisão para os pênaltis. Igualdade com gols daria a vaga pros gaúchos e vitória para qualquer lado, claro, classificaria o vencedor. Quase 4 mil pessoas foram até a Vila Euclides para essa peleja.

O colorido das camisas era absolutamente fantástico, mas pena que as duas equipes não entraram na onda da empolgação da torcida. O jogo foi muito abaixo do esperado e com pouquíssimas emoções no decorrer dos 90 minutos. No tempo inicial duas chances bem meia boca do time visitante, nenhuma delas com perigo suficiente para assustar o povo que cozinhava debaixo do forte sol.

Sem brincadeira, o primeiro tempo parece que durou 152 minutos tamanha foi a inoperância dos atletas. Foi de longe uma das piores metades de partida que vi em 2017. No segundo até parecia que a situação iria melhorar e no primeiro lance o São José quase abre o marcador em finalização de Clayton que bateu na trave... porém foi só.


Bola passeando pela área do Tigre no começo da partida


São José saindo para o ataque


O camisa 9 Alvinho colocando a cabeça na pelota no meio de campo


A apresentação do tiozinho malabarista no intervalo foi o que de melhor aconteceu no gramado do Primeiro de Maio na tarde de sábado

O Tigre ficou quase todo o tempo com a bola nos pés, porém em nenhum momento soube o que fazer com ela. Foi complicado ver tantos ataques sucessivos sendo desperdiçados um a um. O resultado final não poderia ser outro: um óbvio 0x0 que levou a decisão da vaga para a marca de cal.

Nas três primeiras cobranças dos clubes, 100% de aproveitamento. Pelo São Bernardo FC marcaram Esquerdinha, Edvan e Guilherme Noé e pelo São José Fábio, Dudu Mandai e Rafinha. Lucas Lino bateu o quarto pênalti para o Tigre e a pelota bateu na trave. Éverton Alemão colocou os visitantes na frente logo em seguida. Dogão foi para a quinta cobrança local e também mandou na trave, classificando o Zequinha para as quartas.


Ataque do Tigre pela esquerda


Escanteio a favor do São Bernardo FC com a zaga do Zequinha mostrando serviço


Atleta do São José se esticando todo para fazer o corte

Fim de jogo: São Bernardo FC 0 (3) - 0 (4) São José/RS. Agora o onze gaúcho vai enfrentar o Atlético Acreano em busca de uma vaga na Série C de 2018. Aliás, só vai ter time legal subindo para a terceirona na próxima temporada. Mesmo sem times de perto atuando, estaremos de olho na próxima fase.



Éverton Alemão convertendo o quarto penal pro São José e logo em seguida Dogão mandando na trave


A alucinada comemoração dos atletas gaúchos com a classificação para as quartas da Série D

Fechei a jornada futebolística do final de semana na manhã do domingo com um daqueles jogos perdidos geniais no Morumbi, na primeira vez que pisei no gramado da casa são-paulina para um jogo de futebol com a luz do dia.

Até lá!

domingo, 30 de julho de 2017

No finalzinho, Bernô derrota o VOCEM e vira líder isolado

Texto e fotos: Fernando Martinez


A jornada futebolística do final de semana começou na tarde de sexta-feira com um duelo genial no Campeonato Paulista da Segunda Divisão. O confronto inédito entre São Bernardo e VOCEM, válido pela terceira rodada do Grupo 7 do certame, era nada menos do que o encontro dos líderes da chave após as duas rodadas iniciais.

A partida estava marcada para as 20 horas, mas a FPF interditou a iluminação do Baetão dois dias antes da peleja, alegando falta de condições mínimas para jogos noturnos ali. A denúncia partiu do Osvaldo Cruz, clube derrotado no mesmo estádio no domingo anterior.

Já falamos sobre a péssima iluminação do local há muito tempo, e antes do apito inicial pude saber mais detalhes do que acontece ali. O problema não é apenas dos refletores em si, e sim de todo o sistema elétrico. As lâmpadas foram trocadas em 2015 e também no começo desse ano, porém em poucos dias várias queimaram em virtude de curtos-circuitos.

Um especialista foi chamado e ele verificou que todo o sistema está comprometido. O solução cabe em arrancar fiação (detalhe: ela é toda subterrânea), postes e afins e começar tudo do zero. O problema é que o custo ficaria entre 300 e 400 mil reais (!). Agora resta saber se a prefeitura de São Bernardo do Campo estará disposta a tirar a mão do bolso e bancar essa pequena revolução.

Se muitos se viram prejudicados com a mudança do horário, pra mim foi até melhor, já que tirar foto de noite ali é um sofrimento. E se o enorme quórum de amigos não conseguiu aparecer em virtude de ser um dia útil, tive apenas a companhia do Emerson durante os 90 minutos. 


Esporte Clube São Bernardo - São Bernardo do Campo/SP


VOCEM - Assis/SP


O árbitro Lucas Canetto Bellote e os assistentes Ítalo Magno Andrade e Rodrigo Meirelles Bernardo ao lado dos capitães dos times

Os dois times vinham de vitórias na rodada anterior. O Bernô derrotou o Osvaldo Cruz por 2x0 enquanto o time assisense venceu a Francana pela contagem mínima. O São Bernardo esperava fazer valer o fator campo pensando em se isolar na liderança do grupo.

Só que diferente do que vimos domingo, dessa vez a apresentação local não foi tão boa. O VOCEM começou mais inspirado e durante a primeira metade do tempo inicial foi melhor em campo. Melhor, mas sem conseguir produzir chances claras de gol, já que as finalizações não eram das melhores.

O onze local foi só passar do meio-campo depois dos trinta minutos e acabou tendo a maior oportunidade para inaugurar o marcador aos 38 num chutaço de longe que tocou a trave de Neto Bonini. Foi com o marcador em branco que o primeiro tempo se encerrou e eu esperava que os respectivos treinadores arrumassem a casa nos vestiários.


Romário, camisa 9 do Bernô, tentando se livrar da marcação adversária


Cobrança de falta pela direita no ataque local


Atleta do VOCEM iniciando ataque


Interceptação de defensor do onze visitante em chegada do Bernô

A esperança era uma, pena que a realidade foi outra. Os últimos 45 minutos se arrastaram e a ação ficou concentrada no meio de campo. Os times embolaram demais o jogo e praticamente não teve um lance de perigo digno de registro. Conforme o tempo foi passando a sensação era que o placar não seria alterado.

Acabou sobrando para Felipinho, o artilheiro da competição, a missão de resolver a partida no finalzinho. Eram decorridos 41 minutos quando ele recebeu um passe pela direita e tentou tocar pro meio da área. No meio do caminho a pelota bateu em Hugo e foi morrer no fundo das redes.

Atrás no placar, o VOCEM se lançou ao ataque naquele desespero de causa em busca do empate, porém deixou um espaço monstro no seu campo defensivo. O Bernô teve o contra-ataque à sua disposição, e num deles aos 46 minutos Felipinho completou de cabeça um cruzamento da esquerda e fez seu 12º gol na Segundona.


Boa saída do goleiro local em cruzamento dos visitantes


Felipinho levantando a pelota na área do VOCEM


Ataque desesperado do onze bordô em busca do seu gol

O placar final de São Bernardo 2-0 VOCEM marcou a segunda vitória do Bernô na segunda fase do certame. O time agora é líder isolado do Grupo 7 com sete pontos ganhos, três à frente do Esquadrão da Fé e da Francana. Na próxima rodada, a tabela se inverte e os rapazes do ABC visitam o clube bordô e branco.

Voltei pra casa na base na hora do rush com direito a trólebus quebrado e um aperto monstro no metrô... ossos do ofício. Menos de 24 horas depois voltei ao ABC para uma decisão na Série D do Brasileiro.

Até lá!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Pinheirense vira e sai na frente da decisão da A2 Feminina

Texto e fotos: Fernando Martinez


Após conferir a vitória nacionalina na sessão vespertina da última quarta-feira, o futebol não parou e saímos da Mooca com destino ao bairro do Pari para ver de perto a primeira partida da grande decisão do Campeonato Brasileiro Feminino A2, a segunda divisão da categoria. No gramado do Estádio Oswaldo Teixeira Duarte, Portuguesa e Pinheirense/PA iniciaram a disputa pelo caneco.

Vale relembrar que paulistas e paraenses já estavam garantidas na elite feminina em 2018 (a Lusa ainda corre riscos por conta de um julgamento no STJD na próxima segunda-feira, mas muitos cravam que nada de ruim acontecerá) desde a semana passada depois de terem eliminado respectivamente Tiradentes/PI e Caucaia na fase semi-final. As duas substituirão Vitória e Grêmio, os dois rebaixados nesse ano.


Associação Portuguesa de Desportos (feminino) - São Paulo/SP


Pinheirense Esporte Clube (feminino) - Belém/PA


Capitãs dos times e quarteto de arbitragem paulista para a decisão com a árbitra Regildênia de Holanda Moura, as assistentes Patrícia Carla de Oliveira e Renata Ruel de Brito e a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro

Ao longo da competição a Portuguesa somou 22 pontos em 27 possíveis, com sete vitórias, um empate e apenas uma derrota. Já as meninas do General da Vila estavam invictas até então com sete triunfos, dois empates e nada menos do que 32 gols marcados. Acompanhando o torneio desde o começo, considerava o Pinheirense levemente favorito pro título.

Um público até que bom foi ao Canindé acompanhar a grande final, só que todo mundo ficou decepcionado com o baixo nível técnico do primeiro tempo. Os times esqueceram o bom futebol nos vestiários e vimos 45 minutos de puro sono. De bom mesmo só uma enorme chance de gol a favor do onze local aos 34. A pelota sobrou para Day que, em cima da linha da pequena área, chutou à queima-roupa e obrigou Rosany a fazer uma defesa simplesmente maravilhosa.

O maior destaque desse tempo inicial foi o papo com a amiga assistente número 2 Renata Ruel antes do apito inicial e com a dupla Emerson e Mário direto das sociais. Como a diretoria da Portuguesa diminuiu o tamanho do alambrado, atitude mais do que acertada, agora dá pra bater um papo com os amigos presentes de forma mais prática.


Aquela matada de bola com estilo no ataque rubro-verde


Atletas correndo atrás da pelota no gramado do Canindé


Chegada lusitana no primeiro tempo


A camisa 8 Dani levantando a pelota dentro da área paraense

Agora, se no tempo inicial o negócio foi feio, no tempo final vimos outro jogo. Os times voltaram muito mais dispostos, com a inspiração em dia e foram responsáveis por muita emoção. As rubro-verdes mandaram uma blitz esperta que deu resultado aos 16 minutos com o belo gol de Edna chutando de longe. Tudo bem que a arqueira Rosany falhou, porém o gol foi lindo de qualquer jeito.

Infelizmente para a torcida paulistana não deu nem tempo de comemorar. Dois minutos depois a camisa 6 Francy aproveitou uma sobra de bola e chutou firme no canto esquerdo de Ellen. As duas agremiações alternavam bons momentos e aos 31 a zagueira lusitana Ballo derrubou Irley dentro da área. A própria Irley cobrou muito bem e virou o placar. Foi o décimo gol da atleta na competição.

A derrota não era uma boa pedida pro confronto de volta, logo, a Portuguesa se mandou pro ataque em busca de melhor sorte. Aos 38, Lu acertou um belo chute por cobertura de dentro da área e Rosany fez novo milagre. Aos 47 Thaís cobrou falta da esquerda, a pelota percorreu toda a área, a arqueira desviou de leve e a bola ainda bateu na trave antes da zaga aliviar.



Dois escanteios perigosos a favor da Portuguesa no ótimo segundo tempo


Irley marcando o segundo gol do Pinheirense em cobrança de pênalti


Rosany fazendo milagre em chute de Lu aos 38 do tempo final


Placar final da primeira partida decisiva do Brasileiro Feminino A2 2017


As meninas do Pinheirense agradecendo pelo triunfo

O placar final de Portuguesa 1-2 Pinheirense/PA talvez tenha sido injusto por conta dessas duas últimas grandes oportunidades locais. Mas como o que vale é bola na rede, as paraenses levam uma enorme vantagem pra peleja de volta no próximo dia 26 na Curuzu. A Lusa só leva o título caso vença por dois gols de diferença ou por um a partir de 3x2. 2x1 a favor das paulistas leva a decisão pros pênaltis. De qualquer forma, o objetivo maior para ambos os lados já foi conquistado.

Até a próxima!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Nacional se impõe e derrota o Juventus na Rua Javari

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fazia tempo, mas nessa quarta-feira pintou a chance de ver uma rodada dupla de respeito. A jornada começou com meu retorno ao clássico entre Juventus e Nacional após nove anos de ausência. O Estádio Conde Rodolfo Crespi foi o palco do 64º Juvenal por um torneio oficial, no caso a Copa Paulista, em todos os tempos.

Que há muita história envolvida nesse duelo isso é óbvio. Agora, é difícil ver gente colocando os dois como "grandes rivais" tentando reescrever a história. É, apesar do que muitos dizem, Juventus e Nacional nunca foram rivais importantes em nenhum momento da história. O maior adversário grená foi o falecido CA Ypiranga, nunca o Nacional. Fora que ficaram sem jogar de 1962 até 2000 e qualquer rivalidade que pudesse existir teria sido diluída ao longo desses 38 anos.

Falando de história, do dia 27 de setembro de 1936 até 6 de setembro de 2015, as duas agremiações disputaram um total de 42 partidas oficiais pelas três primeiras divisões do estadual, doze por copas, duas pelo Torneio Estímulo e duas pela Copa João Havelange. Os grenás somam 33 triunfos, os ferroviários quinze, mesmo número de empates. Só que desde que o onze ferroviário saiu da Segundona, não perdeu mais (duas vitórias e um empate).


Clube Atlético Juventus - São Paulo/SP


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


O quarteto de arbitragem do Juvenal com o árbitro Lucas Canetto Bellote, os assistentes Eduardo Vequi Marciano e Osvaldo Apipe Filho e o quarto árbitro João Marcos Giovanelli, além dos capitães dos times

Os visitantes chegaram à Javari ocupando a vice-liderança do Grupo 3 da Copa com sete pontos ganhos, cinco acima do Moleque Travesso, que ainda não engrenou e somava apenas dois pontos antes desse confronto. O favoritismo estava do lado do Nacional e a equipe não decepcionou seus torcedores.

Sob uma temperatura incrível (cerca de 12 graus), os locais até começaram tentando fazer valer o fator casa e conseguiram ser levemente superiores. Posse de bola não foi o problema, porém o que complicou foi a absoluta falta de finalizações. Falta um camisa 9 de verdade pro Juventus e a torcida já percebeu isso faz tempo.

O Nacional se defendeu bem e não sofreu sustos. Quando a peleja estava perto do intervalo os visitantes saíram na frente com um gol de Bruno Xavier. O camisa 11 aproveitou um vacilo da zaga local e chutou firme da entrada da área. Paulo Vitor tocou na pelota, mas não conseguiu evitar o gol.


Ataque nacionalino pelo alto


Disputa de bola pela lateral esquerda do ataque visitante



Bruno Xavier chutando e comemorando o gol que abriu o marcador na Rua Javari

Já no tempo final, o arqueiro Felipe Lacerda apareceu bem na maior chance de gol juventina até então num bom tiro de Milton Júnior. Logo depois, em outro vacilo dos defensores do Moleque Travesso, os ferroviários fizeram o segundo, novamente com Bruno Xavier, agora aos 19 minutos.

Só com a entrada de Cesinha e Denner, respectivamente aos 21 e aos 28 minutos, que o onze da casa passou a atuar melhor. Aos 33, numa boa jogada dos dois, o Juventus diminuiu. Cesinha avançou e tocou para Denner. Ele virou em cima do marcador e tocou no canto.


Zaga grená saindo para o ataque


Bola estufando as redes de Paulo Vítor no segundo gol do Nacional


Zagueiro do Juventus se antecipando e fazendo o corte

Nos minutos finais até pintou chance boa a favor dos locais, só que para lamentação da maior parte dos 897 pagantes, isso não aconteceu. O placar final de Juventus 1-2 Nacional aumentou para quatro o número de jogos sem derrota ferroviária nesse confronto. Além disso, o time é vice-líder do Grupo 3 da Copa Paulista com oito pontos, atrás apenas da Portuguesa. Os grenás permanecem sem vitória e ocupam apenas a sexta posição da chave.

Sem tempo de jogar conversa fora, pegamos o caminho do Canindé para a segunda partida do dia, agora com direito a primeira decisão da segundona nacional feminina. Tinha confronto imperdível na casa lusitana.

Até lá!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Duelo sem gols entre Nacional e Portuguesa pela Copa Paulista

Texto e fotos: Fernando Martinez


No segundo semestre de 2013 Nacional e Portuguesa estavam a anos-luz de distância no cenário futebolístico do estado. O time ferroviário foi eliminado na primeira fase da última divisão estadual e fez apenas dez jogos naquela temporada. Já o time do Canindé estava na A1, na Sul-Americana e jogava a Série A com direito a grandes apresentações no nacional, como por exemplo a goleada de 4x0 em cima do Corinthians.

Se alguém tivesse feito uma aposta comigo naqueles tempos dizendo que quatro anos depois os dois estariam disputando uma mesma competição profissional e que rolaria uma partida no Estádio Nicolau Alayon com previsão de muito equilíbrio, provavelmente eu consideraria essa pessoa como um caso sério de internação em alguma instituição psiquiátrica. Mal sabia que essa "insanidade" se tornou realidade no último sábado.

Vindo dos títulos da Segundona de 2014 e da A3 de 2017, o onze da Água Branca recebeu uma Portuguesa que colecionou rebaixamentos e chegou ao fundo do poço após a eliminação da Série D em junho. Caso não vença a Copa Paulista, o time do Canindé não terá calendário nacional em 2018 e disputará exatamente as mesmas competições do Naça: Série A2 e Copa.

Falando um pouco de história, os dois se enfrentaram em 47 oportunidades através dos tempos, a maior parte dos confrontos entre 1938 e 1959, ano em que os ferroviários foram rebaixados da primeira divisão. Desde então, foram apenas seis jogos: três amistosos em 1964, 1970 e 1977, dois pela Copa FPF de 2004 e um pela A2 de 2007 (um 5x2 a favor da Lusa que contou com cobertura do blog).


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Capitães dos times junto ao árbitro Paulo Sérgio dos Santos, os assistentes Claudenir Donizeti da Silva e Fausto Augusto Moretti e o quarto árbitro Marcos Silva Gonçalves

Essa peleja valeu pela segunda rodada do Grupo 3. Na rodada de estreia, o Nacional empatou sem gols contra o Água Santa e a Lusa derrotou a Briosa pela contagem mínima no Canindé. A Comendador Sousa recebeu um belo público - 927 pagantes - numa tarde super agradável e as agremiações corresponderam.

No primeiro tempo o Nacional começou melhor e os bons ataques preocuparam o goleiro Ricardo Berna. A Portuguesa foi se soltando aos poucos e a partir dos 25 minutos passou a dominar as ações. Primeiro Fernandinho criou bom momento em tiro cruzado e no final Dedê chutou de longe e Felipe Lacerda fez boa defesa.

Na volta dos vestiários o onze ferroviário voltou mais disposto, porém sem nenhuma oportunidade clara. Quem criou pela primeira vez foi o atacante rubro-verde Guilherme Queiroz, que fazia sua reestreia, aos 18 minutos. O atleta lusitano chegou a abrir o marcador, só que o assistente número 2 marcou impedimento.

Pouco tempo depois Danilo, camisa 7 local, finalizou de fora da área e obrigou Ricardo Berna a fazer uma defesa brilhante. Aos 31, novamente Guilherme Queiroz apareceu bem e chutou muito perto da meta. A partir daí o Nacional ocupou o setor defensivo da Portuguesa sem conseguir sucesso nas conclusões.


Aquela disputa de bola esperta no ataque do Nacional


Briga pela bola dentro da área lusitana


Pé de ferro na linha central



Duas oportunidades do onze ferroviário em cruzamentos na área


Franklin, camisa 6 da Lusa, se mandando pela esquerda

A partida foi muito boa, pena que no fim o placar tenha ficado em Nacional 0-0 Portuguesa. Foi o segundo empate sem gols seguido do antigo SPR e agora a equipe está na sexta colocação da chave. Os rubro-verdes dividem a liderança com o Taubaté, ambos com quatro pontos ganhos. De qualquer forma, foi genial poder ver esse confronto depois de tanto tempo. Se tudo der certo, estarei no Canindé pro duelo no returno.

Sem mais delongas saí do Alayon e fui pra casa passar o restante do sábado na paz e dormindo cedo. Tudo por um motivo justíssimo: colocar um time novo na Lista pela Segundona e numa decisão de vaga. Mais genial impossível!

Até lá!