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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Grande jogo e triunfo lusitano pelo Brasileiro Feminino A2

Texto e fotos: Fernando Martinez


Pensem num certame genial e muito, mas muito perdido. Na tarde da quarta-feira fiz a minha estreia num deles, o Campeonato Brasileiro Feminino A2, a segunda divisão do futebol das meninas no país. A primeira cobertura foi no genial encontro entre Portuguesa e Caucaia do Ceará no Estádio Nicolau Alayon valendo pela segunda rodada.

Antes de falar do jogo em si, vale mencionar que a CBF reorganizou os certames da categoria em 2017. A entidade ampliou o nacional e criou mais uma divisão, além de extinguir a Copa do Brasil feminina. De 2013 a 2016, vinte times participaram do Brasileiro e agora em 2017 são 16 equipes em cada uma das duas divisões. Doze clubes a mais no total.

A entidade separou as agremiações da seguinte forma: Na primeira divisão ficaram o último campeão da Copa do Brasil e o campeão brasileiro de 2016, os oito melhores colocados no ranking nacional de clubes e os seis melhores ranqueados que participam da Série A masculina. Na novíssima A2, os dezesseis primeiros do RNC a partir do nono colocado, excluindo obviamente os que ficaram na A1.

Isso fez com que o Centro Olímpico, campeão do primeiro brasileiro em 2013 fosse parar na segundona, assim como figurinhas carimbadas que estiveram em todas as edições até então, como o Viana do Maranhão, Pinheirense, Duque de Caxias e o Caucaia, time que atuou pela primeira vez na capital paulista na sua história.


Associação Portuguesa de Desportos (feminino) - São Paulo/SP


Caucaia Esporte Clube (feminino) - Caucaia/CE


O trio formado pela árbitra Adeli Mara Monteiro e as assistentes Fabrini Bevilaqua Costa e Leandra Aires Cossette junto com as capitãs dos times

O Grupo 2 do torneio é formado, além da Lusa e da Raposa Metropolitana, por CRESSPOM/DF, Aliança de Goiás, ADECO, América Mineiro, UDA/AL e Botafogo da Paraíba. A primeira fase é jogada em turno único e as duas melhores colocadas se classificaram para a semi. Na rodada de estreia as rubro-verdes empataram com o Centro Olímpico longe de casa e as cearenses derrotaram o Coelho.

O estádio nacionalino estava praticamente vazio, porém todos os presentes, incluindo o amigo Ricardo Espina, viram 90 minutos muito bons, com várias chances de gol e com muita disposição das atletas das duas agremiações. Em tempos de jogos bem mais ou menos, esse valeu demais a pena. Dá até gosto falar sobre um jogo assim.

O Caucaia começou os trabalhos jogando melhor e dominou as ações durante os dez minutos iniciais. A Portuguesa se defendeu bem e no primeiro ataque que conseguiu armar saiu na frente. O relógio marcava onze minutos quando Juliana aproveitou escanteio pela esquerda e inaugurou o marcador.

As cearenses não se importaram com o tento sofrido e no lance seguinte Damiana perdeu um gol feito. Aos 14, Vanusa fez justiça e deixou tudo igual. A bola foi levantada da direita, a camisa 9 tocou meio sem querer e a pelota encobriu a goleira Bruna. Três minutos depois quase saiu a virada num chutaço de longe que bateu na trave.

O ritmo era eletrizante e a zaga lusitana não conseguia parar as rápidas investidas adversárias. Depois de suportar a pressão, foi a vez da goleira Edleia fazer milagre e impedir o segundo gol local aos 33 minutos. Apesar de mais bons momentos pros dois lados, o tempo inicial terminou com o 1x1 estampado no placar.


Jogadora da Portuguesa protegendo a pelota



Lance do gol que abriu o placar no Nicolau Alayon e a comemoração das atletas locais


A zaga lusitana afastando o perigo


Valeska, camisa 6 do Caucaia, atacando pela esquerda

No tempo final a partida continuou muito boa e Fernanda recolocou o clube do Canindé em vantagem aos oito minutos. Lucélia recebeu bom passe pela esquerda, foi para dentro da área e só rolou para a camisa 11 tocar pro fundo das redes, livre de marcação. Na saída de bola a mesma Lucélia foi expulsa e deixou a Portuguesa com dez em campo.

Só que aos 16 o Caucaia sofreu novo castigo e tomou o terceiro. Numa falta pela esquerda, Dani escorou no primeiro pau e colocou a bola no canto de Edleia. Não restava outra opção pras visitantes a não ser montar um esquema priorizando somente o ataque.

O que se viu a partir daí foram várias oportunidades a esmo e uma segura atuação da goleira Bruna. A atuação defensiva da Portuguesa, somada a uma pitadinha de sorte, impediu que o Caucaia diminuísse. Aos 40 minutos Fernanda Marques foi expulsa e as rubro-verdes ficaram com nove em campo.

Foi assim que as nordestinas chegaram ao segundo gol através de Fafá aos 42. O que se viu nos sete minutos restantes foi uma pressão absurda na luta pelo empate. O momento mais inacreditável da tarde aconteceu aos 46, quando a bola bateu duas vezes na trave de Bruna em dois chutes seguidos. Realmente não era dia das meninas do Ceará.


Num dos primeiros ataques do tempo final, a camisa 9 Vanusa se aproxima da área


Lucélia entrando na área pela esquerda e tocando para Fernanda fazer o segundo gol da Lusa




Três boas chances de gol do time cearense durante o segundo tempo

No fim, o Portuguesa 3-2 Caucaia marcou a primeira vitória paulistana no Brasileiro Feminino A2, colocando a equipe na vice-liderança provisória do Grupo 2 com quatro pontos, atrás apenas do CRESSPOM com seis. Na próxima rodada a Lusa visita o América Mineiro e as nordestinas enfrentam o Centro Olímpico em São Bernardo do Campo.

Pra fechar, deixo um abraço pro Edson de Lima, dono da página A Vitrine Do Futebol Feminino do Facebook e grande divulgador da categoria e também pro Borracha, preparador de goleiros e goleiras que está trabalhando na Portuguesa que conheço desde os tempos de Grêmio Mauaense. Sempre faz bem rever os amigos pelos gramados da vida.

Até a próxima!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Corinthians e Chapecoense terminam iguais na Arena

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nesse último final de semana não teve jogo perdido na pauta, e sim um duelo de campeões pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro 2017. Corinthians e Chapecoense, respectivamente os vencedores dos certames paulista e catarinense, duelaram na Arena Corinthians na primeira apresentação da Chape na Série A depois da tragédia de novembro.

Assim como todo mundo, fiquei muito mal com tudo o que aconteceu na noite de 29 de novembro e aquilo me abalou mais do que eu poderia acreditar. Virei sócio do clube após o acidente para, mesmo que de forma simbólica, ajudar na reconstrução do time. Por tudo isso eu não queria ficar de fora da primeira apresentação da equipe na capital bandeirante pós-acidente.

Não via um joguinho dos atuais campeões da Copa Sul-Americana desde 2013, numa noite aonde eles venceram o São Caetano no ABC pela Série B. Na minha lista, conto com mais duas apresentações do time e nenhuma derrota: um 0x0 contra o Guarani pela Copa do Brasil 2008 e um triunfo contra o Santo André pela Série C de 2011. Já estava na hora de ver novamente o alviverde em campo.

Fazia tempo que eu não via uma peleja da Série A in loco (a última tinha sido um Palmeiras x Grêmio no Pacaembu em 2014). Aliás, vale mencionar que após a queda da Portuguesa em 2013, eu tinha ido em apenas três até então. Taí um campeonato que cada vez tenho menos vontade de acompanhar, muito pela dificuldade de credenciamento e muito também por ser difícil demais ver algum jogo dos "Grandes" não sendo sócio-torcedor.

Consegui um ingresso na raça com o auxílio do amigo Bruno, figurinha carimbada na Arena Corinthians desde sua inauguração. Fechando o quórum da noite, o Fiel Torcedor Ricardo Pucci. Um público pagante de 31.470 torcedores foi ao estádio para acompanhar a primeira apresentação do Mosqueteiro dentro dos seus domínios depois do título conquistado na semana anterior.

Mas o time de Parque São Jorge não repetiu as boas atuações de ultimamente, principalmente as fora de casa. Os comandados de Fábio Carille viram a Chape criar as melhores chances da peleja e, somado à péssima arbitragem, a noite não teve muitos momentos felizes a favor dos locais. Os visitantes quase fizeram o primeiro aos cinco minutos num chute de Rossi na trave.


Ataque aéreo do Timão no primeiro tempo


Zaga da Chapecoense afastando a bola da área

Apesar dos visitantes insistirem bastante, foi o alvinegro quem abriu o marcador com um belo gol de Jô aos 22 minutos. Atuando de forma mais incisiva do que o adversário, os catarinenses viram o intervalo chegar com a derrota parcial. Na volta pro segundo tempo o Corinthians quase amplia em cabeçada de Rodriguinho.

Só que no lance seguinte, o empate da Chapecoense saiu dos pés de Wellington Paulista, velho conhecido do blog nos tempos em que ele comandava o ataque do Juventus no meio dos anos 2000. Daí pra frente o jogo foi nervoso, tenso e com o árbitro Elmo Alves Cunha mandando muito mal. Sem maiores emoções, assim que a peleja chegou ao seu final.


Visão geral da Arena Corinthians com mais de 30 mil pagantes para o confronto de campeões estaduais


Ataque corintiano pela esquerda no tempo final

O Corinthians 1-1 Chapecoense foi um resultado bem mais ou menos pro time paulista, e os dois pontos perdidos podem fazer muita falta em dezembro ao término das 38 rodadas. Falando da Chape, serviu para quebrar uma série de três derrotas e conquistar um pontinho fora de casa, algo sempre legal no longo nacional.

Até a próxima!

domingo, 14 de maio de 2017

Barcelona sofre empate no fim e não quebra jejum na Segundona

Texto e fotos: Fernando Martinez


A sexta rodada do Campeonato Paulista da Segunda Divisão teve início na noite de sexta-feira com um encontro de velhos conhecidos no Estádio José Liberatti. Em partida válida pelo Grupo 3, Osasco FC e Barcelona foram a campo com objetivos bastante distintos para o decorrer do certame, pelo menos nesse momento.

O onze osasquense luta cabeça a cabeça com Elosport, Primavera, Guarulhos e Itararé por um lugar na próxima fase, enquanto o Elefante, lanterna da chave, somava apenas um ponto em cinco jornadas e busca apenas fazer uma campanha digna. Nos dois compromissos anteriores do OFC em casa, uma vitória e uma derrota e ninguém do alvinegro admitia a hipótese de perder pontos para o último colocado.

Para essa peleja tive a companhia do Emerson, mas infelizmente o trânsito estava surreal (sete da noite de sexta-feira é um convite a chegar atrasado) e chegamos na cancha com a bola rolando. O Data Fernando informa que esse foi o 104º jogo do Barcelona Capela em todos os tempos e o 35º que contou com a minha presença. Também foi o nono confronto entre os dois rivais (o terceiro time que o Barcelona mais enfrentou até hoje, atrás de Jabaquara e Taboão da Serra) na história e até então total equilíbrio com dois triunfos para cada lado e quatro empates.

O pequeno público viu um leve equilíbrio no gramado e o Osasco FC tentando fazer aquela pressão por atuar em casa e o Barcelona se preocupando primeiro em se defender e só depois pensando em atacar. E foi num contra-ataque rápido aos 17 minutos que o onze visitante teve um pênalti marcado a seu favor.

John foi para a cobrança e colocou a pelota no ângulo direito do arqueiro local, deixando o Elefante em vantagem. No restante do tempo inicial os alvinegros não deram mais espaços ao Barcelona, porém o empate não aconteceu. No intervalo subi para as cabines do Liberatti e acompanhei dali o tempo final junto com o mago dos ingressos Ricardo Espina.


Barcelona atacando pela direita no primeiro tempo


Bela cobrança de pênalti de John no primeiro gol paulistano


Zaga do Osasco marcando em cima

O Osasco FC manteve a atitude ofensiva durante todo o segundo tempo, mas, diferente do que vimos contra o Primavera, o Barcelona conseguiu suportar a pressão e segurou sua vantagem com unhas e dentes. Perto do fim do tempo regulamentar o ímpeto local se intensificou.

Aos 44 minutos o goleiro Alexandre acabou fazendo um milagre num chute à queima-roupa e tudo indicava que o Barcelona iria quebrar o jejum de onze jogos sem vencer. Só que a arbitragem prorrogou o sofrimento visitante e deu seis minutos de acréscimo. No último ataque local, mais precisamente aos 50 minutos, o camisa 4 Vinícius acertou um belo chute de longe e deixou tudo igual.


Atletas espalhados pelo gramado do Rochdale


Vinícius cobrando falta a favor dos donos da casa


Bola alçada dentro da área visitante no fim do jogo

O placar final de Osasco FC 1-1 Barcelona fez com que os osasquenses caíssem para a sexta colocação do Grupo 3, agora com oito pontos e dois atrás dos seus quatro concorrentes diretos. O Elefante é o lanterna com dois e ainda buscando seu primeiro triunfo na Segundona.

O final de semana acabou nem tendo na programação nenhum jogo perdido, já que fui conferir apenas a minha primeira partida de Campeonato Brasileiro em quase três anos. Teve duelo de campeões estaduais na pauta.

Até lá!

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Defensa y Justicia e sua histórica noite no Morumbi

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na noite da quinta-feira passada rolou uma daquelas partidas simplesmente imperdíveis com direito a time novo na Lista... e que time! Logo na estreia em competições internacionais na sua história, tive a chance de ver o primeiro jogo do genial do Club Social y Deportivo Defensa y Justicia fora da Argentina na sua história enfrentando o São Paulo no Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

Esse duelo aconteceu graças às mudanças que a Conmebol promoveu na Copa Sul-Americana, extinguindo aquela horrorosa fase nacional e misturando todo mundo desde o início. O nível de alternatividade dessa competição a torna muito mais legal do que a Libertadores, sem sombra de dúvida. Esquadrões como os bolivianos do Nacional Potosí, os colombianos do Patriotas, os uruguaios do Boston River e os equatorianos do Fuerza Amarilla merecem um lugar de destaque em qualquer torneio que participem.

Voltando a falar do Defensa y Justicia, o genial time verde e amarelo de Florencio Varela foi fundado em 1935 e até 2014 nunca tinha jogado a principal divisão do seu país. Isso até a temporada 2014/2015, quando terminou a Primera B Nacional (aonde é até hoje o clube que mais disputou o certame com 24 participações) como vice-campeão e conquistou o acesso.

Em 2014, o Defensa foi 18º colocado no certame local, em 2015 foi 21º e em 2016 a equipe conseguiu um histórico oitavo lugar e com isso se classificou para a sua primeira competição internacional. No jogo de ida, empate por 0x0, logo, qualquer empate com gols no Morumbi levaria a rapaziada do país vizinho pra segunda fase.




É, não foi jogo perdido, mas rola foto posada do São Paulo, do Defensa y Justicia e do quarteto de arbitragem por aqui. As fotos são de longe, mas valem mesmo assim

Desde que vi o Independiente jogando e vencendo o Corinthians pela falecida Copa Mercosul em 1999 a minha Lista conta com 37 equipes da Argentina (fora a seleção, claro)... bom, agora 38, já que não tinha conseguido colocar o DYJ no rol de times vistos em nenhuma das duas vezes que fui ao país vizinho. No geral, agora a listinha chegou ao número 654.

Vi essa sessão de futebol junto com a armada são-paulina formada pelo decano Mílton, os jovens Mário, Pucci e Luigi e vários parentes dos mesmos. Todos, sem exceção, ficaram super felizes com mais uma atuação primorosa da equipe comandada pelo ídolo Rogério Ceni em 2017... só que não. O negócio foi feio.

O São Paulo até que começou bem e fez nove minutos muito bons. Aos 30 segundos Lucas Pratto teve um gol anulado e aos cinco minutos Thiago Mendes acertou um pombo sem asa no canto direito de Gabriel Arias. E foi só. A partir daí, o tricolor conseguiu a proeza de ser dominado dentro de casa pelo humilde adversário.

Os argentinos criaram duas boas chances na sequência do tento local e aos dez Castellani se aproveitou de uma falha monstro da zaga paulistana e deixou tudo igual. Apesar de ter a bola mais tempo nos pés, o São Paulo mostrou uma apatia absurda e nada fez de útil. Mílton Haddad, veterano de pelejas do time do Morumbi, não ficou muito feliz com o que viu no gramado.

No tempo final os locais continuaram na base do sono monstro e não chegaram nenhuma vez com perigo dentro da área visitante. A torcida ficou indignada com atuação tão insípida da equipe. E detalhe: o empate ainda saiu barato, já que os argentinos tiveram a grande chance de virarem o marcador aos 19 minutos, mas Elizari chutou da pequena área em cima de Renan Ribeiro.


Atleta do time argentino dominando a bola no meio de campo


A comemoração dos jogadores do Defensa no gol de Castellani


Visão geral de um Morumbi com público apenas razoável para a peleja: 14.999 pagantes


Ataque do São Paulo pela direita no tempo final


No fim, quem fez a festa na casa são-paulina foi o pequeno time argentino... vimos a história ser escrita

Após 90 minutos de futebol, vimos a história ser escrita na nossa frente. O placar final de São Paulo 1-1 Defensa y Justicia eliminou os brasileiros num Vexame com "V" maiúsculo, apesar de seu técnico dizer o contrário. Ao mesmo tempo, esse foi o maior momento dos 82 anos de história dos argentinos e com certeza a data será lembrada para sempre pelos seus torcedores. É muito legal poder acompanhar de perto momentos assim.

Na noite do dia seguinte voltei aos gramados, saindo de uma competição internacional para um joguinho perdido da boa e velha Segundona Paulista.

Até lá!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Primavera quebra tabu de 17 anos contra o Barcelona na capital

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois da rodada dupla de sábado com semi da A3 e final da A2, voltei à realidade na manhã de domingo com mais um compromisso do Barcelona Capela no Estádio Nicolau Alayon pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão. No seu 103º jogo oficial da história, os paulistanos receberam o Primavera de Indaiatuba num confronto até então inédito na história do estadual.

Esse foi o 19º jogo seguido do Barcelona como mandante que contou com a minha presença, o 34º em todos os tempos. Os locais vinham de duas boas apresentações - empate de 2x2 contra o Itararé e derrota com um futebol razoável pro São Bernardo - e queriam tentar aproveitar o fator "casa", mesmo sem nunca terem vencido atuando na Comendador Souza. Até então foram realizados doze jogos ali com dois empates e dez derrotas.


Barcelona Esportivo Capela Ltda. - São Paulo/SP


Esporte Clube Primavera - Indaiatuba/SP


Capitães dos times junto ao árbitro Anderson Faustino Cordeiro, ao assistente gente boa Daniel Luis Marques e Eduardo de Souza Neto

Falando em números, o tricolor queria quebrar um enorme tabu jogando na capital. Desde 1976 a equipe fez doze jogos na cidade de São Paulo e venceu apenas um, um 3x2 contra o Palmeiras B em 2000. Jogando na casa do Nacional, cinco pelejas com três empates e duas derrotas. Fora isso, nenhum gol marcado ali desde 1985. (*)

Nesse árido duelo quem acabou se dando melhor foi o onze primaverino e sua performance finalmente quebrou o longo tabu. O Barcelona não foi capaz de repetir as razoáveis atuações das duas rodadas anteriores e não foi páreo para os dedicados atletas visitantes. O legal é que quem chegasse no estádio e não conhecesse quem estava em campo, veria que eram o "Barca" e o "Prima", pois assim que estava no placar. Isso aconteceu porquê a porta de entrada para o local estava trancada e ninguém tinha a chave. Um rapaz teve que escalar o muro para mudar as letras (ainda estava indicando o Nacional x Olímpia da véspera), só que como poucas estavam disponíveis, ele fez o que era possível. Surreal.

No primeiro tempo o Primavera foi levemente superior e conseguiu fazer seu primeiro gol com o camisa 8 Pedro Paulo aos 19 minutos. Embora tenham criado mais oportunidades, os jogadores não conseguiram ultrapassar mais a meta defendida pelo goleiro José. O Barcelona chegou poucas vezes perto da área adversária.


Ataque do Primavera no começo da partida


Lance no campo de ataque local com direito ao genial placar informando o confronto entre o "Barca" e o "Prima"


Boa saída do arqueiro do Fantasma


O melhor (e único) lance de ataque do Barcelona em todo o jogo

O papo no vestiário deve ter sido bom, pois o Fantasma voltou ainda mais ligado pro tempo final. Marcolino fez o segundo tento visitante aos 11 minutos. Aos 30, Vinícius fez um golaço. Ele recebeu um bom passe da direita, tirou dois zagueiros de uma vez com um genial drible e tocou no canto esquerdo de José.

O time da casa não viu a cor da bola e o goleiro Kaíque foi um mero espectador de luxo. Nos minutos finais pintou chance do quarto gol, mas ele não saiu. No fim, ele nem fez falta, já que o Barcelona 0-3 Primavera colocou o onze de Indaiatuba na terceira posição do Grupo 3, atrás do líder São Bernardo e do segundo colocado Elosport. O Barça é o lanterninha com apenas um ponto conquistado.


Boa chegada do Primavera em lance na pequena área


Bola viajando pela área do time de Indaiatuba


No fim, o Primavera quebrou um longo tabu de não vencer um jogo na capital desde 2000

Com esse novo revés, o Elefante chega a uma sequência de onze jogos sem vitória na Segundona Paulista. O último triunfo foi o emocionante 3x2 em cima do hoje afastado CA Lemense na Rua Javari. Como sempre, fico na torcida para que o clube da Zona Sul possa ter dias melhores no profissionalismo.

Foi isso. Na parte da tarde tinha chance de ir acompanhar um jogo do Paulista Feminino, porém acabei escolhendo voltar pra casa e acompanhar as finais dos estaduais. É, tem momentos que troco um jogo perdido por um jogo de time grande. Acontece nas melhores famílias.

Até a próxima!


(*) Números da página "Acervo Histórico - Esporte Clube Primavera" no Facebook

segunda-feira, 8 de maio de 2017

São Caetano campeão paulista da Série A2 2017

Texto e fotos: Fernando Martinez


A sessão noturna de futebol do sábado foi um daqueles jogos especiais que temos o prazer de assistir de vez em quando. Falo da grande final do Campeonato Paulista da Série A2 entre os recém-promovidos São Caetano e Bragantino. O palco foi o Estádio Anacleto Campanella, cancha que reviveu seus melhores dias.

Há quatro anos não pintava uma final de A2 aqui no blog, mas ao longo de nossa história, marcamos presença em cinco decisões. Logo no primeiro ano, isso em 2005, contei a história do Juventus campeão em cima do Noroeste. As três coberturas seguintes foram do Orlando: Santo André x Oeste em 2008, Monte Azul x Rio Branco em 2009 e São Bernardo FC x União Barbarense em 2012. Em 2013, eu vi a Portuguesa levantar o caneco jogando contra o Rio Claro no Canindé.

Comecei a acompanhar o Azulão ainda nos anos 90 e tive o prazer de acompanhar de perto aquele período incrível do clube. Vi o time decidir a Copa João Havelange, a Libertadores e também quando conquistou o Paulistão. Fora isso, fui inúmeras vezes no Anacleto com direito a momentos geniais. O ocaso da equipe afastou a torcida do local, então foi muito legal ver o local recebendo um bom número de torcedores.

Aliás, dessa vez não teve problema pro pessoal entrar nas dependências da cancha. As filas que vi na terça-feira contra o Rio Claro não se repetiram. Tirando um funil absurdo feito pela PM (sempre com seus 100% de aproveitamento numa performance incrível), não teve problema para os 6.372 torcedores ocuparem as arquibancadas.

 

Taças para o campeão e para o vice da Série A2 2017


Associação Desportiva São Caetano - São Caetano do Sul/SP


Clube Atlético Bragantino - Bragança Paulista/SP


Os capitães das equipes e o quinteto de arbitragem da peleja composto por Marcelo Aparecido de Souza, Anderson José Coelho, Bruno Salgado Rizo, Salim Fende Chavez e Fabrício Porfírio de Moura

Falando da partida, o Azulão chegou a essa peleja ostentando a melhor campanha da A2 por ter um gol a mais do que o Água Santa. Jogando em casa, o São Caetano buscava o segundo título na história da competição. O primeiro foi com a máquina de 2000 que tinha Túlio e Adhemar no comando do ataque e que derrotou o Etti Jundiaí na decisão.

Já o Massa Bruta buscava sua terceira conquista em todos os tempos. O primeiro caneco foi conquistado num inesquecível duelo contra o Barretos no Pacaembu em 1965 (procurem a história do "trem da fome" pela internet, é genial) e em 1988, quando derrotou o Catanduvense no embrião do grupo que foi campeão da divisão principal em 1990.

Se as finais de hoje não tem o mesmo glamour e significado que tinham até os anos 80, inclusive em se tratando da cobertura da "grande mídia", é fato que essa foi muito boa. Isso mesmo com uma garoa que se transformou num dilúvio digno dos dias mais quentes do verão e que perdurou por todo o tempo inicial.

Tentando segurar a mochila, a máquina e o guarda-chuva ao mesmo tempo, e tendo um insucesso enorme na tentativa de não me molhar, acompanhei um Bragantino melhor durante grande parte dos primeiros 45 minutos. O gramado pesado segurou bem a onda.

Apesar do bom futebol do Massa Bruta, a primeira grande chance foi do Azulão. Aos 10 minutos Alex Reinaldo cobrou falta da direita, Ermínio desviou e Sandoval apareceu e marcou o primeiro tento da noite. O problema foi que o assistente anulou o gol alegando impedimento que não aconteceu. Erro grave.

Depois desse lance o onze do ABC não chegou perto do gol defendido por Renan Rocha. Por outro lado, o Braga estava animadíssimo e o setor defensivo local teve muito trabalho. Gilberto, Bruno Oliveira e Rafael Grampola foram responsáveis por grandes momentos que deixaram a animada torcida visitante esperançosa.

É, só que o São Caetano não é um time qualquer, e aos 39 minutos, no seu segundo ataque realmente perigoso, saiu o primeiro gol. Alex Reinaldo cobrou falta na área, Renan Rocha afastou mal e Paulinho Santos encheu o pé, fazendo seu segundo gol na A2.


Gol legal do São Caetano anulado pelo assistente número 2 aos dez minutos do primeiro tempo


Bola viajando perigosamente dentro da área do Bragantino


Disputa de bola na lateral esquerda do ataque local


Lance do gol que abriu o placar no ABC com o goleiro Renan Rocha saindo para afastar a pelota, que sobrou livre para Paulinho Santos

Já não aguentava mais tomar tanta chuva e finalmente ela deu uma trégua durante o intervalo. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, já que sem o dilúvio, o tempo final foi ainda melhor. O alvinegro voltou mandando uma blitz esperta e Rafael Grampola teve ótima chance no primeiro minuto, porém mandou pra fora.

O camisa 9 do Braga não desanimou e aos três fez uma pequena obra-prima. Edson Sitta chutou da entrada da área e a bola saiu mascada, pelo alto. Ela sobrou para Rafael, que emendou uma belíssima bicicleta e deixou tudo igual no Anacleto. Um gol raro de se ver que levou até a torcida do Azulão a reverenciar o momento.

Nos minutos seguintes o que se viu foi um São Caetano mais incisivo e um Bragantino apostando nos contra-ataques. O ritmo estava tão intenso e o futebol apresentado por ambos tão bom que o gol poderia sair de qualquer lado. Para a alegria da ensopada torcida local, ele saiu pro Azulão.

Aos 21 minutos, num cruzamento pela esquerda, o camisa 11 Carlão dividiu com o zagueiro Gilberto e Régis, o heroi do acesso contra o Rio Claro, pegou a sobra, colocando a pelota no canto esquerdo de Renan Rocha. Aos 27 Alex Reinaldo cobrou falta com perigo e quase fez o terceiro.

A partir desse momento os visitantes tentaram fazer uma pressão tentando pelo menos levar a decisão pros pênaltis. Apoiado por sua torcida, o São Caetano segurou bem a onda e ao término dos 50 minutos pôde comemorar uma conquista muito esperada para todos que acompanham a agremiação.


Sem chuva, o segundo tempo foi ainda melhor do que o primeiro


Rafael Chorão levantando a bola na área do Azulão


Comemoração pelo gol de Régis, o segundo dos donos da casa


Renan Rocha fazendo grande defesa em cobrança de falta de Alex Reinaldo


A zaga do Braga teve bastante trabalho com o rápido ataque do São Caetano

O placar de São Caetano 2-1 Bragantino consagrou o clube do ABC como o grande campeão da Série A2 de 2017. Junto com o título ainda rolou uma premiação de 280 mil reais e uma vaga na Copa do Brasil de 2018, competição que não disputa desde 2013, mesmo ano em que foi rebaixado da A1. A meta agora é chegar na Série D na disputa da Copa Paulista.

A festa foi muito legal entre jogadores, comissão técnica e familiares dos envolvidos (dessa vez, não rolou invasão do campo por parte da torcida). No palco montado pra festa, aquele desfile dos dirigentes da FPF e, claro, do monte de gente que você nunca vê durante o ano, somente nos momentos de glória. Falo daquele povo que manda no futebol, mas nunca vai aos estádios.



Comemoração dos atletas do Azulão com a torcida no Anacleto Campanella


O Bragantino recebendo medalhas e troféu pelo honroso vice-campeonato



A festa do São Caetano com a taça do merecido título da Série A2 de 2017

Com essa cobertura finalizo os trabalhos do blog na A2 de 2017, em mais um ano (o quinto seguido) aonde todos os participantes foram devidamente mostrados. Aparecer no dia do acesso e na final é a maior moleza, difícil mesmo é perambular por todos os cantos desde a primeira rodada tomando chuva, passando calor e gastando uma bala num esquema que você não vê nem em grandes veículos da imprensa. Apenas o Jogos Perdidos sendo Jogos Perdidos.

Até a próxima!